Até 2050, é possível que a fonte solar seja responsável por quase metade da capacidade de produção de energia elétrica brasileira.

Dados divulgados pela analista chefe da Bloomberg NEF, Luiza Demôro, indicam que o potencial de geração de energia elétrica brasileira irá mais do que duplicar, acrescentando 250 GW em sua capacidade. Os números foram levantados pelo relatório da empresa e apontam que quase metade desse volume será obtido por meio da fonte solar.

“Enxergamos uma transformação do setor elétrico no Brasil e um crescimento da matriz, com a capacidade de geração mais que dobrando até 2050, somando 250 GW de nova capacidade. Quase 50% disso será com a fonte solar. Vemos um futuro brilhante para essa tecnologia”, relatou a analista chefe durante certo momento do programa ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica)Inside.

O relatório também mostra que, até 2050, um terço da capacidade instalada do país será de energia fotovoltaica. Esse valor corresponde a um pouco mais de 20% do valor total de energia gerada.

“Há uma perspectiva que a economia do país volte a crescer em 2022 e isso fará com que a demanda por energia volte a acelerar. Dessa forma, será preciso aumentar a capacidade por meio das fontes mais econômicas, o que corresponde às renováveis, principalmente solar e eólica. O preço da tecnologia é o centro da discussão”, completa Luiza, salientando que o principal impulso para a adoção dessa prática é o baixo custo da tecnologia necessária. Ela também conta que o valor dos módulos fotovoltaicos foi reduzido em quase 90% nesses últimos dez anos.

“A solar teve um destaque muito grande pelo crescimento rápido nesse ano, principalmente em geração distribuída. Vale ressaltar que o Brasil foi o único país da América Latina que continuou atraindo investimentos relevantes no setor mesmo com a pandemia. Os demais países sentiram mais.”, adiciona a analista, sinalizando a resiliência das energias renováveis no contexto de 2020, ano marcado pela pandemia do coronavírus.

Rodrigo Sauaia, presidente executivo da ABSOLAR, expressa que esse fator advém da dimensão do mercado interno de energia elétrica do país, que é o maior do continente. “A indústria eletrointensiva e o agronegócio são muito relevantes. Por conta disso, a demanda interna é crescente”.

O dirigente também falou sobre a possibilidade de expansão do valor aplicado em energia elétrica no Brasil. “O uso per capita de energia elétrica no Brasil ainda é muito baixo e há um grande potencial de crescimento. O impacto nos países vizinhos foi mais forte e a capacidade de crescimento deles tem um teto mais reduzido”.

Fonte: ABSOLAR