Energia feminina no mercado de renováveis

Mundo RH

Conversas sobre presença feminina no mercado de trabalho e iniciativas para equidade de oportunidades e salários vêm se tornando cada vez mais frequentes – e o setor de energia acompanha esse movimento

Por ter se desenvolvido em um momento em que a participação feminina na força de trabalho era reduzida, historicamente o setor conta com presença majoritariamente masculina: engenheiros, mestres de obras, administradores e economistas. Nos últimos anos, no entanto, é possível perceber a crescente participação feminina no setor de energia, em especial na área de energia renovável.

De acordo com o último relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), o setor de energia renovável gerou 11,5 milhões de empregos em todo o mundo ao longo de 2019, com a participação majoritária da indústria solar fotovoltaica – responsável por um terço do total, aproximadamente 3,8 milhões de postos de trabalho. No que diz respeito à presença feminina, o mercado de energia renovável também se destaca: 32% da força de trabalho é feminina, em comparação a 22% no mercado do petróleo e gás.

O relatório do IRENA aponta, ainda, que em 2019 o Brasil foi o 8º país do mundo a criar mais vagas na área de energia solar. Esse é um dado relevante e que merece ser celebrado. Afinal, a fonte solar vem vivendo um momento de expansão no país e, quanto mais o setor se desenvolve, mais postos de trabalho são criados. Estimativas da ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica indicam que, em 2021, a energia solar será responsável por gerar mais de 147 mil empregos no Brasil.

Mulheres na liderança: oportunidades e desafios

A presença feminina no mercado de energia vem se intensificando em diversas áreas, como Jurídica, Regulatória, Tecnologia e Engenharia. Se isso acontece, por que ainda são poucas as mulheres em cargos de liderança?

Há iniciativas relevantes que atuam com esse propósito. Uma delas é a Rede Global de Mulheres para a Transição Energética – GWNET (do inglês Global Women’s Network for the Energy Transition), uma rede global criada em 2017 com o objetivo de avançar a transição energética por meio do empoderamento de mulheres que atuam no setor, formando redes de networking e programas de mentoria e treinamento.

Dentre outras bandeiras, o GWNET defende que, ao incluir mulheres no mercado de trabalho, há benefícios não apenas para essas profissionais, mas também para suas famílias, as comunidades nas quais elas vivem e a economia do país. Além disso, dados e levantamentos indicam que o equilíbrio de gênero e a diversidade no ambiente corporativo melhoram a governança; tornam a empresa mais aberta à inovação; intensificam o retorno sobre os ativos e o desempenho corporativo; estimulam o desempenho da equipe e o surgimento de novos talentos.

Atenta a esses benefícios, a COMERC Energia criou o PDL – Programa de Desenvolvimento da Liderança, que foi fundamental para que o número de mulheres na liderança saísse de 20 em janeiro de 2019 para 42 em dezembro de 2020, um aumento de 110%. Inclui-se, nesse movimento, o meu desafio de assumir como CEO da Sou Vagalume, recém-lançada empresa do grupo que atuará com foco em levar energia solar e economia para residências, condomínios, empresas e produtores rurais.

Na Sou Vagalume, junto a outras lideranças, temos nos empenhado para criar um ambiente de trabalho inclusivo, atento à diversidade, produtivo e fundamentado em empatia e acolhimento para que cada vez mais tenhamos profissionais construindo sua carreira nesse mercado, especialmente as mulheres.

Por Josiane Palomino – CEO da Sou Vagalume, Diretora de Gestão de Geradores e Geração Distribuída na COMERC Energia e membro do Conselho da ABSOLAR.

Fonte: ABSOLAR.